Andando em coletivos...
E é com a maior cara lavada que eu volto aqui depois de tanto tempo. Mas garanto que tenho um motivo bem plausível: hoje eu andei de ônibus.
Parece coisa de criança tornar um “passeio” de ônibus um evento tão marcante, mas o que me chamou a atenção durante esta minha aventura, é como após dois anos andando com “minhas próprias rodas” (4), deixa muito mais interessante uma situação antes tão rotineira e desprazeirosa.
Ok. Confesso que saí de casa pela manhã expressando minha revolta em forma protestos e reclamações, xingando umas 15 gerações do infeliz que bateu em meu carro e me deixou naquela situação desumana de “pedestreza”.
Mas acidentes, praguejadas e pedrinhas violentamente chutadas nos primeiros passos de meu caminho, a parte, após me conformar com meu destino fatídico, comecei a perceber que andar de ônibus, e a pé também, afinal, não tenho o privilégio de ter um ponto de ônibus em minha porta e outro na porta de onde trabalho, tem lá suas atratividades.
É interessante não ter que se preocupar com os faróis vermelhos, amarelos, verdes ou de qualquer outra coloração, que ditam o acelera e freia dos automóveis no caótico trânsito de nossa adorável São Paulo.
A quantidade de detalhes em que prestamos atenção, tanto no trajeto a pé, quanto no trajeto no coletivo, existentes em lugares por onde passamos diariamente sob nossas rodas triplicam!! Percebi que não conhecia mais as redondezas da minha casa como antes... muitas coisas haviam mudado... muitas outras eu havia me simplesmente me esquecido... mesmo passando por ali religiosamente todos os dias!!
Mudanças na paisagem urbana local a parte, ao caminhar, ou ao se sentar em um banco de ônibus (quando se tem a sorte de haver um banco para se sentar) e apenas se deixar levar pelas maravilhas de haver um força externa que movimenta o seu corpo parado sem que precise se esforçar (viva Newton e suas leis!!!), sua mente pode estar livre para pensar na vida... atividade essa tão rara nos dias de hoje, porém tão saudável e necessária!!! A quantidade de conclusões e indagações banais ou filosóficas de extrema importância para a salvação da humanidade, que se consegue fazer durante um trajeto desses, é algo que supera em muito a exercício de massa cinzenta que é ter que decidir em qual dos três pedais se deve pisar e para que lado o aro com uma buzina no meio deve ser girado.
Não, não... eu não me transformei um apaixonado pelo problemático transporte coletivo que nos é oferecido por nossos governantes. E nem me tornei em um fanático por caminhadas, que anda atento na rua, analisando curiosamente qualquer buraquinho na calçada... a coisa é um pouco mais simples e menos radical... Às vezes, exercitar as pernas faz bem para a cabeça...
Escrito por Glauber às 20:39
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