"Somos todos iguais braços dados ou não"
Mais do que um domingo de sol, era dia dos pais... churrasco com refrigerante, cerveja, arroz com coisas coloridas, flor feita de tomate decorando a salada de maionese... e é claro, pais e filhos. Família. Em volta da mesa, acomodados sem confortavelmente, dois homens conversam sem formalidade. Genro e Sogro. Falam sobre coisas banais, como a reforma prevista na casa e o ponto da carne. Cada um a sua maneira, eles dialogam... Cerca de 25 anos antes, o Sogro controlava o volante de uma das viaturas do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) pelas ruas de São Paulo, mantendo a ordem na concepção do regime militar então implantado em todo o país, perseguindo e prendendo as possíveis ameaças ao bom andamento do sistema. Enquanto isso, o Genro esforçava-se a ser uma dessas ameaças. Filho de militante e em plena juventude, engajava-se em movimentos políticos culturais de natureza esquerdista. Músico amador cantava Geraldo Vandré e em shows universitários. Caminha e cantava seguindo a canção. Opostos unidos pelo destino ali naquela mesa, comemoravam o dia dos pais discutindo amigavelmente onde ficaria melhor a parede do banheiro. Churrasco, refrigerante, cerveja, arroz com coisas coloridas, flor feita de tomate decorando a salada de maionese, pais, filhos.
Escrito por Glauber às 20:55
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"e me assustei... não sou perfeito"
é curioso quanto tempo de nossa vida nós passamos olhando ao nosso redor... sabemos listar inúmeras qualidades e defeitos daqueles que nos cercam... podemos dizer que conhecemos profundamente aqueles que de fato podemos chamar de amigos... porém, esquecemos de olhar um pouco pra dentro... sem querer ser brega com esse negócio de "eu interior" e bla bla bla... mas é engraçado como deixamos o "eu" de lado para observar o "outro"... não entro nem em questões do tipo, "cuida da sua vida cacete"... o outro ao qual me refiro, é um outro de apresso... sem objetivo de sacanear... Mas ai um dia você tem a oportunidade de colocar tudo aquilo que você admira em outros e tem como correto a seguir, a prova em você mesmo... e se depara com um eu completamente diferente do que se acreditava ser, em uma situação específica... e descobre uma série de defeitos, que você até sabia que estavam lá... mas em dimensões monstruosamente maiores... e ai? não sei...
Acho que talvez um bom começo para se concertar um defeito, é passando a assumi-lo como tal. Por isso venho a publico e faço minhas as palavras de Raul Seixas:
Eu sou Ego
Eu sou Ísta
Eu sou Egoísta
Escrito por Glauber às 21:33
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