Saudosismo despretensioso... nada mais
As vezes me pego sentindo falta de antes... afinal, antes o mundo era bem maior e mais interessante... antes não haviam problemas sem solução e crescer não doía. As cores eram mais coloridas e um dia poderia durar uma semana, um mês, um ano, uma vida... antes tudo era vivo, colorido, tudo se transformava o tempo todo... bastava querer... antes agente chorava mais, sem medo... mas passava logo... hoje, fazemos força para engolir o choro, remoendo o que nos incomoda por tempos. Antes não tinha antes para ser lembrado com tanta saudades. Antes agente não sabia mais do que se precisava saber... haviam letras que não diziam nada do que de fato significavam, mas, pelo contrário, diziam muito daquilo que quiséssemos que elas dissessem. Complicávamos menos, oprimíamos menos, corríamos por diversão e não por dever... e sim, nos divertíamos em simplesmente correr, sem direção e sem rumo... chutávamos o vento, tínhamos amigos imaginários, ligávamos menos para as aparências... antigamente agente era menor, sabia menos, acreditava em tudo, podia menos, tínhamos menos... mas o tempo passou e aprendemos a lição... aprendemos a ler somente aquilo que está escrito, aprendemos a não acreditar em mágica, aprendemos a ter responsabilidade, aprendemos a medir nossas palavras, aprendemos a dar valor para coisas que possuem valor, aprendemos a usar computadores, aprendemos a fazer planos pro futuro de forma plausível... e esquecemos como voar, esquecemos como se deve correr, esquecemos como não saber, esquecemos como chorar, esquecemos como gostar...ah! antigamente é que era bom!
Escrito por Glauber às 16:36
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"Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.A gente se acostuma para poupar a vida.Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma".
[Marina Colasanti]
Escrito por Glauber às 08:23
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Pois então... a minha amiga Amandinha acabou me enfiando numa tal de corrente literária... sinceramente, não me julgo nada intelectual para ser merecedor de tal convite... mas talvez seja essa a graça da coisa toda... ai vão as respostas deste pobre sujeito que vos estreve... os intelectuais que me perdoem...
1. Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quereria ser?
Ser um livro... tá uma coisa bastante complicada de ser assimilada... talvez um livro de receitas... pois assim, a mulherada ia viver pegando!! ... trashera... papo sério agora... nunca escondi de ninguém: CEM ANOS DE SOLIDÃO, do Gabriel Garcia Marquéz é foda!! um livro que tranforma o surreal em algo simples... acho que curto a idéia a de ser esse livro... desapego a realidade real, apegado a uma realidade mais doce... inocencia psicótica... palavras simples tratando sobre assuntos complexos...
2. Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por um personagem de ficção?
Tá... fugindo um pouco da literatura, tenho que confessar algo... Eu morria de tesão pela Beth, mulher do Barney dos Flinstones... juro pra vcs... doidera né!!... pois bem... Vestibularmente A Luisa do Primo Basílio... talvez pela inocência, por acreditar nas promessas do canalhão Basílio, mesclada ao adulterio e todas as artimãnhas utilizadas para encobri-lo...
3. Qual foi o último livro que compraste?
O tal do Código Da Vinci que é tão comentado ultimamente... na verdade comprei pra dar para minha mãe de aniversário... mas ainda pretendo le-lo
4. Que livros estás a ler?
Terminei a pouco tempo o (interminável) Mundo de Sofia... pra quem curte uma vigem filosófica do tipo, quem somos, de onde viemos e para onde vamos (assim como eu) esse é o livro... mas no momento apenas leituras didáticas... to procurando O Slogan, do Reboul... alguém pode me emprestar?
5. Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Se pá a lista telefonica, que é mais grossinha e ia servir muito bem como um banquinho!!... acho que se estivesse em uma ilha deserta acabaria por escrever um livro... e não ler os que já estão escritos...
6. A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e por quê?
Mari Calvo: Amiga da PUC, com certeza bem mais intelectualizado do que eu.
Fernandinha: que anda escrevendo muito bem no Reinventando, e batendo todos os recordes de audiência em comentários
Vivian: Garota inteligente que andou dando uma desencanada do blog dela, mas tem todo o meu apoio pra voltar a escrever...
é isso ae
Escrito por Glauber às 17:51
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